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‘Revolução da alegria’ é o tema do Festival de Dança 2017

Thursday, 05 de October de 2017
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Com atrações nacionais e internacionais, metade delas gratuitas, evento promete festejar com o público seu aniversário de 15 anos

No cartaz do 15º Festival de Dança de Londrina, o sorriso espontâneo de uma criança e uma explosão de cores. Imagem em contraponto às discussões carrancudas que tomaram o campo das artes nas últimas semanas. A força revolucionária da alegria, porém, é justamente o conceito curatorial que o evento interpõe como resposta às questões contemporâneas. O mote é a celebração dos seus 15 anos, tempo em que saltou de uma pequena mostra competitiva entre grupos da cidade para um evento de referência no sul do país, com programação conhecida pelo ecletismo e pela ousadia de linguagem.

De 7 a 15 de outubro, o Festival, que tem coordenação geral de Danieli Pereira, promove 17 espetáculos e 5 oficinas com grupos e profissionais das artes cênicas vindos de diferentes cidades brasileiras, como Salvador (BA), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO) e Curitiba (PR). Também participam artistas de dois países da África: Guiné Conacri e República Democrática do Congo. As danças étnicas (com sua cor festiva) e o contemporâneo (com seus ingredientes revolucionários) destacam-se na grade que oferece ainda estilos como balé clássico e dança de salão, além de espetáculos de teatro e performance art. O patrocínio é da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura.

A proposta da programação deste ano, com metade dos espetáculos gratuitos e outra metade a preços acessíveis (R$10 e R$5), é conclamar o público a dançar junto dos artistas e transformar espaços inusitados em palcos a céu aberto. Algumas ações artísticas começam antes mesmo do dia 7. Às vésperas da abertura, bailarinos da Escola Municipal de Dança param o trânsito: realizam números curtos de clássico em semáforos do centro para lembrar a chegada do evento. Balões biodegradáveis com a marca do Festival também vão colorir o Calçadão e outros espaços da cidade.

Tanto a abertura quanto o encerramento da edição 2017 serão gratuitos. O primeiro espetáculo fica por conta do Balé Teatro Castro Alves, companhia de Salvador com 36 anos de trajetória e que, pela primeira vez, apresenta seu mais novo espetáculo fora do território nordestino. Trata-se de Lub dub, que tem como tema tudo o que pulsa e percute – dos tambores ao corpo humano (“lub dub” é o nome que a medicina dá às batidas do coração). O elenco baiano é coreografado pelo artista experimental Jae Duk Kim (da Coreia do Sul), também criador da trilha sonora e do figurino. O resultado é um hipnótico trânsito entre as culturas afro-brasileira e sul-coreana. Com fortes referências ao candomblé e à capoeira, a montagem traz performance vocal ao vivo do cantor e bailarino Gilmar Sampaio, que também ministra oficina de Balé Clássico na programação. Ingressos podem ser retirados gratuitamente nas bilheterias oficiais a partir desta quarta (máximo dois por pessoa).

Afora a “abertura oficial”, que acontece no dia 7, às 20h30, no Teatro Ouro Verde – principal casa do Festival e que volta à ativa após a espera de cinco anos por sua reinauguração -, haverá, no dia 8, uma “celebração de abertura” no Aterro do Lago Igapó. É o “Bollywood Cosmic Dance”, flash mob inspirado nas danças cinematográficas da Índia e em danças étnicas de várias culturas conduzido pelo Coletivo Cosmic Dance (São Paulo-SP). Durante os dias 7 (manhã e tarde) e 8 (manhã), o fundador do grupo, Thiago Amaral, realiza oficinas gratuitas com centenas de integrantes em três regiões de Londrina para ensaiar a performance, que se transforma em uma festa coletiva com mais de duas horas de duração, ao som da World Music do DJ paulista Miguel Caldas e participação de todo o público presente. Pó colorido indiano (“gulal”), sinalizadores de fumaça e figurinos ousados dão um toque especial à celebração. Ainda há vagas para a participação no flash mob, basta acessar o site oficial.

O encerramento alinha-se com a proposta interativa e festiva. Quem fecha as cortinas do Festival no dia 15 de outubro é a cantora e bailarina africana Fanta Konatê e o Grupo Djembedom (Guiné Conacri/Brasil), com um show aberto na Concha Acústica, às 16 horas. Dona de impressionante potência vocal e cênica, Fanta passeia por um repertório de canções e movimentos da África Oeste, mais especificamente da etnia Malinkê, que contagiam à primeira batida. Ela convida para participar do espetáculo os integrantes de sua oficina ministrada na grade didática.

De dança coletiva e fortes percussões também será a programação do feriado, dia 12 de outubro. A partir das 14 horas e ao longo de toda a tarde, o Festival leva ao Zerão uma série de atrações: marchinhas de palhaços e oficinas lúdicas com integrantes do Centro Londrinense de Arte Circense (o “CarnaCLAC”), e o show “Carnaval é o ano todo”, do Bloco Bafo Quente passeando por um repertório animado que vai do samba ao rock, do funk ao maracatu – todos os ritmos adaptados à formação percussiva do coletivo. Uma participação especial nesta tarde fica por conta do Grupo Tuia, de São Paulo, que apresenta às crianças de todas as idades o espetáculo “De chapéu e coração, histórias de paixão”, coletânea de contos adaptados ao cordel, com danças brasileiras.

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Pretérito Imperfeito – Mimulus Cia de Dança (MG) – (Foto: Guto Muniz)

Incensada internacionalmente, a Mimulus Cia de Dança (Belo Horizonte-MG) é um dos destaques da programação, às 20h30 do dia 10, no Teatro Ouro Verde. Ela traz à cidade “Pretérito Imperfeito”, montagem poética sobre a memória – os passados inconclusos que formam o nosso presente. Conhecida por mesclar dança de salão e movimentos contemporâneos, a Mimulus coreografa, neste espetáculo, um repertório de música brasileira, de Pixinguinha a Villa-Lobos.

Outra atração de peso é “Devolve 2 horas da minha vida”, do Projeto Mov_oLA (São Paulo-SP), no dia 11. Agraciado com importantes prêmios como o Governador do Estado e o APCA 2016 de melhor espetáculo, a montagem faz uma releitura contemporânea do clássico “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock. A proposta, porém, é questionar as pequenas janelas que estão ao alcance de nossas mãos e que se abrem para o mundo. O público é convidado a baixar o aplicativo de celular “Mov-oLApp”, antecipadamente,  e interagir com o elenco durante a apresentação, numa experiência, no mínimo, inusitada e divertida.

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Sr. Will – Giro8 Cia de Dança (GO) – (Foto: Layza Vasconcelos)

Também sobre os impactos da tecnologia nos nossos dias, “Sr. Will”, da Giro8 Cia de Dança (Goiânia-GO), leva ao palco do Ouro Verde, no dia 13, um carrinho de controle-remoto em jogo com os bailarinos. A máquina manipulada e manipuladora faz refletir, porém, sobre o outro lado, o que temos perdido nos tempos modernos: a dimensão sensorial do corpo, o prazer e o desejo que funda a esfera humana. Com dramaturgia do espanhol Antonio Gómez Casas e coreografia de Joisy Amorim, o jovem grupo goiano aponta como promessa da dança contemporânea.

Na direção oposta ao desmantelamento virtual, o bailarino e coreógrafo Faustin Linyekula, dos Studios Kabako (República Democrática do Congo, África), centra “Le Cargo” (“A Carga”) na potência do corpo atravessado por memórias. Com raro lirismo, Faustin empreende um percurso de regresso à história de sua família, habitante da pequena aldeia de Obilo, como forma de compreender também o destino coletivo do seu país, marcado pela guerra e pela devastação da violência. “O que resta da casa do meu pai? Após todos os anos de guerra, as pessoas ainda dançam ao cair da noite as mesmas danças que foram proibidas para mim na infância?”, ele se questiona. A montagem será apresentada no sábado, dia 14, às 21 horas, no Teatro Ouro Verde.

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Luis Antonio Gabriela – Cia Mugunzá (Foto: Bob Sousa)

Ainda sobre percursos autobiográficos de regresso em busca de temas universais, o Festival traz a Londrina pela primeira vez “Luis Antonio – Gabriela”, da Cia Mungunzá de Teatro (São Paulo-SP). O premiado espetáculo, em cartaz no Ouro Verde às 20h30 do dia 12, conta a história real de Luis Antonio, homossexual e irmão mais velho do diretor Nelson Baskerville. Ele desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960 e parte para a Espanha sob o nome de Gabriela, onde transforma-se em estrela da noite e morre anos depois, viciada em cocaína e portadora do vírus da Aids. A trajetória desta personagem, exilada de um país e apartada de uma família pela força brutal do preconceito, serve como mote para a discussão sobre a questão de gênero, tão em voga diante da guerra entre direitos conquistados e a onda conservadora atual.

No campo da performance art, o Festival inclui em sua programação “DNA de DAN”, do respeitado artista curitibano Maikon K. Ele permanece durante 4 horas em uma bolha, um ovo translúcido que será montado no Palco do Lago Igapó na tarde do dia 14. Após aguardar que uma substância gelatinosa seque e descame sobre o seu corpo, remetendo à troca de pele, ele inicia uma dança ritual que remete a Dan – a serpente ancestral cultuada em várias culturas milenares -, bem como aos processos de metamorfose e transformação. A entrada no espaço da performance é permitida somente a pessoas acima de 16 anos. “DNA de DAN” integrou a mostra “Terra Comunal” a convite de Marina Abramovic e provocou grande discussão em Brasília, no mês de julho, quando Maikon K foi interrompido pela polícia e preso durante a performance.

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DNA de DAN – Maikon K (PR) – (Foto: Victor Nomoto)

Completando a programação, o Festival alinha em sua grade produções londrinenses que evidenciam a qualidade e diversidade dos nossos artistas. Companhia anfitriã do evento, presente em todas as edições, o Ballet de Londrina apresenta na segunda noite, dia 8, sua “Oração pelo fim do mundo”, que estreou recentemente e toca em temas urgentes como o totalitarismo, a intolerância, as formas de preconceito e o genocídio. Trata-se de um lamento pulsante do diretor Leonardo Ramos e do elenco de 13 bailarinos sobre a ação devastadora do ser humano e sua indisposição à convivência pacífica.

Na segunda-feira, dia 9, a programação do Festival é inteiramente dedicada à versatilidade de linguagens da cena londrinense. Na Usina Cultural, às 19h30, o Núcleo Ás de Paus apresenta a lírica “DonAntônia”, com canto ao vivo, movimentos dinâmicos e apurada técnica de perna de pau. Mais tarde, às 20h30, no Ouro Verde, a mostra local “Dança Londrina” reúne números de até dez minutos que vão do clássico ao hip hop, da dança de salão ao jazz. A noite conta com participação especial do grupo da Escola de Ballet da Secretaria de Cultura de Ibiporã apresentando a montagem “Boomerang”.

Bilheteria – Os ingressos para espetáculos em espaços fechados do Festival de Dança de Londrina (à exceção da abertura gratuita) custam R$10 e R$5 (meia-entrada). Eles estão disponíveis em dois pontos de venda: Secretaria da Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380) e Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 – loja 3). A partir do dia 6, diariamente, das 16 horas até o início dos espetáculos, funciona também a bilheteria no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos gratuitos para Lub dub, atração de abertura, podem ser retirados em qualquer um destes pontos de venda (máximo dois bilhetes por pessoa). A programação completa está disponível no site www.festivaldedancadelondrina.art.br.

Fonte: Divulgação