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Mostra Satyajit Ray – A Trilogia de Apu Mostra Satyajit Ray – A Trilogia de Apu

Mostra Satyajit Ray – A Trilogia de Apu

Monday, 17 de May de 2010
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O cinema indiano, marcado por sensibilidades e realismos, deve muito de sua história a Satyajit Ray, cineasta responsável pela Trilogia de Apu: “A Canção da Estrada” (1955), “O Invencível” (1956), e “O Mundo de Apu” (1959). O diretor baseou-se no romance “Aparajito”, de Bibhutibhushan Bandopadhyay para contar a história de Apu, personagem que aparece em diferentes fases da vida ao longo dos três filmes, retratado com a beleza e a crueza do estilo inspirado no neo-realismo italiano e na nouvelle vague francesa, acompanhado da trilha sonora original composta por Ravi Shankar. 

Abrindo a Mostra, “A Canção da Estrada” traz a visão de Apu criança, em uma pequena aldeia onde a miséria e as dificuldades são grandes. Acompanhado da mãe, da bisavó e da irmã, Apu observa mas não compreende as tristezas da vida a seu redor. O pai, pregador sempre ausente, não consegue dinheiro suficiente para a família, a mãe se entristece, mas o menino não compreende a totalidade das situações. Satyajit Ray mantém-se de certo modo afastado dos personagens, observando-os como quem não sabe por onde olhar, ou como quem procura entender um grande quadro que lhe escapa às referências. 

“O Invencível” nos traz um Apu em fase de expsansão: adolescente, vivendo em uma cidade maior, começa a planejar vôos mais altos do que a realidade dura e triste da aldeia permitiria. Mas ao mesmo tempo em que os desejos de Apu o levam além de seus limites, descortinando possibilidades de vida, ele também descobre as perdas que lhe cortam parte do passado. Apu perde o pai e a mãe, e se vê então a sós com um mundo a descobrir e que está, no entanto, vazio de seguranças. 

Por fim, a trilogia se encerra com “O Mundo de Apu”, em que o espaço aberto do filme anterior se deixa esgotar, enclausurando o   personagem em pequenos espaços da vida adulta. Apu, agora grande, descobre-se novamente pequeno frente às surpresas e tragédias impostas pela vida e pela natureza. Da clausura das poucas possibilidades quando criança, à aparente espansão da juventude, aos cortes da vida adulta: Apu alterna entre espaços e, com ele, aprendemos a olhar para o futuro e para o passado do personagem de formas diferentes. 

A história e os dramas de Apu são contados por Satyajit Ray de maneira direta – não há enfeites ou exageros, nem há o sentido de uma grande ação com consequências globais como se costuma ver em filmes de disposições mais comerciais. A vida e as histórias de Apu são de Apu, mas em sua insignificância resta justamente seu contato com o espectador: seus sofrimentos, suas dúvidas e seus anseios são também o de pessoas comuns; indianos, italianos ou brasileiros. Satyajit Ray tira da inspiração no “Ladrões de Bicicleta” de Vittorio de Sica um olhar simples, uma atuação simples e um filme sem rodeios. Direto, natural e frágil como a vida, o modo de contar da trilogia de Apu resulta em uma visão desencantada, mas ao mesmo tempo esperançosa: próximo do espectador, o exótico mundo de uma outra pessoa para estranhamente conversa com a sua própria realidade. 

Saiba mais sobre a exibição dos filmes no Cine Sesc – Mostras Temáticas clicando aqui.