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Avenida Duque de Caxias: Projeto de pesquisa se destaca nacionalmente

Avenida Duque de Caxias: Projeto de pesquisa se destaca nacionalmente

quinta, 23 de março de 2023
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Iniciativa desenvolvida com apoio do Promic foi finalista de prêmio concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)

O projeto de pesquisa “Avenida Duque de Caxias: o patrimônio histórico entre permanências e transformações”, que contou com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), vem se destacando nacionalmente.

Desenvolvida por cinco pesquisadoras, todas arquitetas, a iniciativa foi uma das finalistas, em dezembro, da 35ª Edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que é concedido anualmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). No total, 268 trabalhos haviam sido inscritos para a premiação, dentre os quais 50 foram classificados para a fase final durante a etapa regional, que selecionou 10 projetos de cada região do país. A iniciativa londrinense foi aprovada em segundo lugar na seletiva da região Sul, na categoria de projetos de autoria de pessoas físicas.

Selecionado pelo edital do Promic de 2019, na linha de Projetos Independentes – Preservação do Patrimônio Material e Imaterial, o projeto foi conduzido entre 2020 e 2022 e resultou em um e-book publicado pelo Museu Histórico de Londrina em abril do ano passado (disponível aqui). Além disso, foi produzido um roteiro da Avenida Duque de Caxias em seu trecho histórico, com 3.200 exemplares que foram entregues a diversos órgãos públicos e equipamentos culturais da cidade. Outro material elaborado foram 119 fichas de inventário arquitetônico e uma ficha de inventário urbano-paisagístico, que foram disponibilizadas no site do Sistema de Informação Geográfica de Londrina (Siglon). Para conferir, basta acessar o Siglon neste link e selecionar a camada “Cultura”.

Durante a realização da pesquisa, as autoras fizeram uso de diversas fontes, incluindo acervos de fotos feitas por famílias que tiveram estabelecimentos de comércio na avenida e os arquivos do Museu Histórico, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

A professora do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unifil, Elisa Zanon, que foi uma das integrantes do projeto, contou que o trabalho teve origem em uma pesquisa iniciada pela professora Eloísa Ribeiro Rodrigues, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL. “A Eloísa vinha pesquisando as ruas comerciais e históricas de Londrina, e eu comecei a colaborar com ela em 2015. Sabíamos que a Avenida Duque de Caxias era muito importante, não só porque algumas pesquisas já tinham sido feitas sobre ela, mas também porque é uma das mais antigas vias comerciais e empresariais da cidade. Além disso, a maioria das edificações que estão na Duque de Caxias são históricas, consistindo em construções de alvenaria pioneiras, erguidas nos primeiros anos de existência de Londrina. Por isso, achamos que seria fundamental preservar essa história”, disse.

Ainda segundo Zanon, o levantamento recuperou informações bastante significativas, como o fato de que a esquina das avenidas Duque de Caxias e Celso Garcia Cid foi um dos principais pontos comerciais nos anos iniciais do município. Também foram reveladas curiosidades, como a história de um campo de bocha que existiu na via, no trecho atualmente localizado entre as ruas Alagoas e Cambará, e cujos frequentadores tinham até carteirinhas de filiação.

“Em seu início, a Duque de Caxias era um ponto de comércio de secos e molhados, assim como uma via de acesso para diferentes regiões da cidade. A produção rural que era comercializada na avenida chegava do Heimtal, na região norte, e a população que morava em Tamarana, na região sul, vinha à Duque para fazer suas compras do mês nos armazéns de secos e molhados. Posteriormente, os estabelecimentos comerciais foram se diversificando”, destacou a professora.

A diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Solange Batigliana, salientou que o projeto está alinhado ao Plano Diretor de Preservação do Patrimônio Cultural do Município, e que oferece importantes contribuições para a historiografia londrinense. “Esse é um trabalho de fôlego, realizado durante vários anos, que fez um levantamento e inventário de todas as edificações da Avenida Duque de Caxias, na região entre as avenidas Leste-Oeste e Juscelino Kubitschek. Trata-se de uma ação que contribui para a preservação da cultura material de Londrina, e de uma iniciativa muito ampla e rica”, afirmou.

Equipe responsável – Além de Eloísa Rodrigues e Elisa Zanon, o projeto foi conduzido pelas pesquisadoras Camila Silva de Oliveira, Priscila Henning e Ana Claudia de Souza Santos. Os trabalhos de pesquisa contaram ainda com a participação de 14 estudantes, e do fotógrafo Rei Santos. Durante a organização do material para a concorrência ao prêmio, o projeto teve o apoio das arquitetas e pesquisadoras Amábile Lúcio Campos e Caroline Santos de Oliveira.

Fonte: N.Com