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vida pegando de surpresa

sexta, 05 de dezembro de 2014
Categoria: noticia

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chico – the flash:
é caso de guinness.
chico lançou um livro, chamado “Irmão Alemão”, saiu da festa de lançamento, foi pra casa, fez um miojo, abriu o um site de notícias qualquer e sua obra já tinha sido premiada pela APCA, Associação Paulista dos Críticos de Artes. 

o nome da associação deveria ser mudado para: APCACLD, Associação Paulista dos Críticos de Artes Com Leitura Dinâmica.

eis que vejo no horizonte a literatura brazuca sucumbindo diante do marketing excessivo.

estamos vendendo publicações.
segue o combo:
1000 exemplares + um jabuti + dois prêmios quaisquer + uma fliporto = uma bagatela de “um nome famoso”.

pior do que isto é saber que a editora para qual você tinha esperança de dar um ponta-pé na sua carreira, uma semana após recusar o original, lançou um livro do naldo com prefácio de zeca camargo dizendo, algo do tipo: “não é pra qualquer um fazer uma galera jogar a mão pra cima…”

mas…
“paz na terra aos homens de boa. e ponto.” apenas isto já supriria a vontade de muita gente. não basta ser você, tem que ficar na sua às vezes, dar um oi aqui, um tchau ali e tomar uma cerveja pra relaxar o crânio. sem stress, meu caro.

zezé di camargo é quase um bukowski brasileiro.
era meados de 2005 ou 06, não lembro bem. eu dei a dura notícia ao meu pai de que meu avô havia falecido em curitiba, estávamos em floripa. pegamos o carro e partimos estrada adentro, subindo em direção a capital paranense. o homem foi no volante em silêncio, plantando os olhos no caminho, com zezé di camargo e luciano no talo. ninguém falava nada. eu e meu irmãos apenas engolimos os berrinhos estridentes e os dedilhados de violão.
eu era um quadrado, cabeça do tamanho de uma bola de gude. tinha apenas 21 anos.

já reparou? o homem foi forçado a cantar, compôs em troca de pão com “mortandela”, veio de uma vida limitadíssima fisicamente e verbalmente, chegou na cidade grande e escreveu:
“eu sou seu apaixonado de alma transparente,
um louco alucinado, meio inconsequente,
um caso complicado de se entender.”
este versinho caia bem em qualquer livretinho do velho safado. passaria despercebido pelos olhos do pessoal que enche a boca pra falar “o buk é foda, o melhor de todos”. uma boa parte destes, que extremamente veneram o Chinaski, acham que conhaque tem gosto de remédio, pedem bubballo de troco e riem com vergonha quando falam que tiveram que fazer um “chupeta” no carro pra ele pegar novamente.

até mais ver.