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Um pássaro sobre nossas cabeças Um pássaro sobre nossas cabeças Um pássaro sobre nossas cabeças

Um pássaro sobre nossas cabeças

segunda, 02 de março de 2015
Categoria: noticia

Pelos deuses encarcerados nos rolos cintilantes de hollywood, uma justiça foi aplicada em conduta honrosa. 

Sendo assim, no dia 22 de fevereiro, já 23 na verdade, a Academy Awards, no bom portuga “a festa do oscar” premiou a profundidade, a verdadeira técnica, a junção de vários males necessários dos cinéfilos.

Birdman chegou ao topo, e eu estava com dó, crendo piamente, no santo cinematográfico das causas perdidas, que o filme seria o rolar de cabeças de Iñárritu, quase um deportar para o México, sendo seu fim dirigir novelas estreladas pela carismática Thalia.

Pra mim, BABEL e BIUTIFUL já tinham provado mais do que nunca de que a corridinha de Iñárritu pra passar do México para os Estados Unidos, em meio ao deserto, já tinha valido a pena.

Quando Birdman foi anunciado que estava sendo rodado, não houve ser vivente que não tenha achado que o filme se tratava de um “spider-man de penas”. Eu não minto que pensei e torci o nariz para Iñárritu quando fiquei sabendo. 

Não quero e nem devo desmerecer BOYHOOD, porém, tendo agora o jogo montado, recebendo a visão periférica de cada uns com seus respectivos prêmios, é fato assimilar a lógica do sistema. Boyhood não passou de um grande experimento, um dificultoso experimento que trouxe consigo todas as marcas de rascunho.

Sendo este então apenas um tentativa finalizada, é notório dizer que chegou longe dentro dos tesourinhos acadêmicos distribuídos, 3 globos de ouro e um bezerrinho do oscar (dentre 6 indicações). 

O próprio Linklater confirmou em entrevista pós-oscariana de que o filme tem suas lacunas, tem seus perrengues e é quase impossível usar tal técnica de cronograma sem que as contingências não afete a evolução. A mais visível delas, creio eu, foi a “especulativa” desanimada de Ellar Coltrane, o protagonista, durante a trama. Sonda-se que o ator desgostou com o tempo do projeto. No entanto acho isto inevitável, visto que, fora do personagem, Ellar deve ter passado por grandes modificações, até mesmo questionando a vontade de ser ator.

O pariu foi acirrado na disputa, porém tinha gente vindo atrás que é difícil não notar. Podemos exemplificar com Whiplash, um filme talentoso e apreensivo que se tivesse nascido em um daqueles anos em que os filmes do oscar não valem uma sessão da tarde poderia ter levado. E a grande piada é SNIPER AMERICANO, do quase “gá-gá” Clint. A cena em que o terrível Bradley Cooper segura um boneco no lugar do que era para ser um bebê destrói qualquer “psicologia da realidade suspensa”, da qual o cinema é detentor.

Bom, Birdman conquistou o prêmio-mor, pois resgatou o sentimento bifurcado que os “jênios”(isto mesmo, com J) da academia adoram “ame ou odeie”, e isto incomoda muita gente mais do que 2 ou 3 elefantes. Aqui, o que levou de verdade foi a técnica dos cortes imperceptíveis sem se perder no roteiro. Eu só contestaria o final, mas isto já é uma outra história.

Vlw Flw.