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Sessão Kinopus exibe “A Grande Nuvem de Magalhães” no dia 13

Sessão Kinopus exibe “A Grande Nuvem de Magalhães” no dia 13

segunda, 12 de dezembro de 2022
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Realizada no Sesc Londrina Cadeião, programação também inclui curtas-metragens “Zé Bento – O Secretário de Mário de Andrade” e “Ainda Restarão Robôs Nas Ruas do Interior Profundo”

A 47ª edição da Sessão Kinopus exibe na próxima terça-feira (13), a partir das 19h30, três curtas-metragens no Sesc Londrina Cadeião (Rua Sergipe, nº 52), com entrada gratuita para todos os interessados. Durante o evento, haverá a pré-estreia de A Grande Nuvem de Magalhães, filme londrinense dirigido por Maikon Nery e Yan Sorgi, que contou com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Mesclando elementos de documentário e ficção, a obra tem como foco o grupo fictício de teatro Zabelê, contrastando os ensaios e performances do coletivo com temas ligados à história e sociedade brasileira. De acordo com Nery, a ideia de produzir o curta teve origem nas filmagens que ele e Sorgi realizaram durante as manifestações políticas ocorridas em Londrina no período que vai de 2013 aos dias atuais.

“Tínhamos a ideia de fazer um filme documental, mas durante o processo de desenvolvimento da obra optamos pela abordagem ficcional, enfocando o universo do teatro. Além dos registros dos protestos, também nos inspiramos na ocupação realizada pelo Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL), em 2016, na antiga sede da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules). Em meio a uma atmosfera onírica, o curta aborda assuntos como a ditadura militar e as questões políticas do tempo presente”, afirmou o diretor.

Ainda segundo Nery, a exibição do filme é uma forma de colocar a obra em circulação, abrindo ao público a discussão sobre temas sociais e históricos.

Personagem histórico – A programação da 47ª Sessão Kinopus também inclui o curta Zé Bento – O Secretário de Mário de Andrade, dirigido por Luciano Pascoal e lançado originalmente em 2002. O documentário é baseado em uma entrevista feita com José Bento Faria Ferraz, que atuou como secretário do escritor paulistano Mário de Andrade (1893-1945) entre 1934 e 1945.

Pascoal contou que a ideia de produzir o filme teve origem em uma sugestão do livreiro e pesquisador londrinense Carlos Okawati, que possui um grande acervo de obras de Andrade e intermediou o contato com Ferraz. “A Secretaria Municipal de Cultura de Londrina cedeu uma van para que fôssemos a São Paulo para entrevistar o Zé Bento, e viajamos com uma equipe que incluía nomes como Paulo Menten, Nelson Sato, Raimunda Batista e Rodrigo Grota, entre outros. Usamos equipamentos que pertenciam ao projeto Repórter Cidadão, que fazia parte da Rede da Cidadania”, disse.

Segundo o diretor, a entrevista realizada com Ferraz, na casa do entrevistado, foi uma experiência marcante. “Ficamos o dia todo na casa dele e foi incrível poder conversar com alguém que conheceu o Mário de Andrade em pessoa. Também levamos o Zé Bento à casa do Mário, mas ela estava fechada para visitação. Depois disso, fomos ao Cemitério da Consolação, onde fizemos imagens do túmulo do escritor”, lembrou.

Ele também destacou que a memória de Mário de Andrade está mais viva do que nunca em 2022, ano em que se comemora o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, que teve o escritor como um de seus protagonistas. “É sempre importante comemorar datas como essa, principalmente no cenário atual, em que a cultura vem sofrendo tantos ataques no Brasil. Mário de Andrade foi um visionário, que defendeu a existência de mecanismos de apoio do poder público à cultura, e essa discussão é fundamental no momento em que vivemos”, salientou.

Ficção baseada em vivências – A programação da noite inclui, ainda, o curta Ainda Restarão Robôs Nas Ruas do Interior Profundo, dirigido por Guilherme Xavier, de Assis (SP). Inspirada em personagens reais, a obra de ficção mostra o cotidiano de jovens que vivem no Jardim Santa Clara, na periferia do município paulista.

A narrativa conta a história de um rapaz que tem uma égua de estimação, que constantemente foge para a zona urbana de Assis. Em uma dessas ocasiões, o protagonista e seus amigos partem em suas motocicletas para ir procurar o animal, deparando-se no caminho com remanescentes de um movimento de extremistas políticos. O filme foi produzido por meio do Polo Audiovisual do Velho Oeste e da Oeste Cooperativa Audiovisual, e conta com participação do londrinense Guilherme Gerais, como diretor de fotografia.

Xavier destacou que o roteiro foi elaborado em parceria com o rapper Daniel Rone, durante um curso oferecido pelo Polo Audiovisual do Velho Oeste. “Trabalho com hip-hop e tenho uma aproximação com artistas periféricos de Assis, então vivo esse contexto, e o curta também tem como base as vivências do Daniel. É um filme que já recebeu prêmios em diferentes festivais, e isso é muito bacana, porque somos do interior do estado, uma área com pouco acesso às referências cinematográficas, então o cinema que se faz aqui é bastante baseado em nossas experiências pessoais e na identidade local”, disse.

Fonte: N.Com