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Revista digital interliga poesia, vida e natureza Revista digital interliga poesia, vida e natureza

Revista digital interliga poesia, vida e natureza

Thursday, 10 de March de 2022
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Mesclando diferentes linguagens, site da revista mataviva traz entrevistas com escritores, compositores, ativistas e pensadores; edições mais recentes recebem patrocínio do Promic

Entrou no ar, na última quinta-feira (10), a edição mais recente da revista eletrônica mataviva (número #9), publicação idealizada e realizada pelo Grafatório, coletivo e selo editorial londrinense, em parceria com a editora paulistana É Selo de Língua. O material está disponível no endereço mataviva.site, ambiente on-line que reúne entrevistas com escritores, ativistas e pensadores cuja vida e obra os aproximam dos não-humanos: dos animais, das plantas, dos minerais, do ar e da água.

A revista mataviva estreou no dia 8 de maio de 2021, data que não foi escolhida por acaso. Neste dia, é comemorado o aniversário de Gary Snyder, de 91 anos, escritor anarquista, poeta beatnik, praticante zen-budista e ecologista, cujo pensamento, vida e poesia ressoam a proposta da própria mataviva.

Com esse perfil, o site apresenta ao público, a cada edição, uma entrevista com um ou uma personagem, promovendo conversas que são ilustradas por obras visuais de artistas igualmente atentos aos movimentos de outras espécies. A ideia é apresentar ao leitor outros modos de existir, deslocados dos automatismos da experiência urbana – mataviva faz circular o trabalho de artistas que se dedicam ao cultivo de novas formas de vida-escrita, colhendo experiências urgentes para o planeta em que habitamos.

Na edição mais recente, de número 9, o papo é com a poeta, editora e astróloga paulistana Júlia de Carvalho Hansen. Nascida em 1984, Hansen já teve seus livros publicados no Brasil e em Portugal, entre eles cantos de estima (2009); O túnel e o acordeom (2013); alforria blues ou Poemas do Destino do Mar (2013) e Seiva veneno ou fruto (2016), estes últimos dois pela Chão da Feira – editora que realiza com outras três mulheres.

Na conversa com a mataviva, Hansen fala sobre escrita, plantas, astros, espécies companheiras e estados alterados de consciência. A entrevista é ilustrada pelas obras do fotógrafo e futurólogo londrinense Guilherme Gerais.

As edições 8, 9 e 10 de mataviva contam com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

O editor do Grafatório, Felipe Melhado, que é um dos editores da mataviva, contou que a parceria com a É Selo de Língua existe há alguns anos, antes desta produção, tendo já rendido iniciativas em conjunto. “Nós, do Grafatório, somos amigos do pessoal dessa editora independente paulistana, estamos sempre em contato e trocando informações. Para a revista mataviva, a ideia partiu deles e, inicialmente, a proposta era conversar com poetas que possuem uma experiência mais deslocada dos centros urbanos e mais próxima dos não-humanos, por assim dizer, tendo contato com a natureza, os animais, as plantas e outros elementos. Nosso primeiro entrevistado, o poeta Leonardo Fróes, por exemplo, mora desde a década de 70 na região serrana do Rio de Janeiro, e a relação com esse ambiente influenciou muito o seu modo de vida e sua arte”, relatou.

Melhado disse que, no decorrer das primeiras edições, a revista passou a ampliar o perfil dos entrevistados, a fim de explorar diferentes visões a partir de assuntos relacionados com a essência da mataviva. “A ideia é conversar com mais artistas, ativistas, pensadores, pessoas que plantam e lidam com práticas semelhantes, e outros cuja forma de vida é alterada de alguma maneira pela presença dos não-humanos. Outro aspecto trabalhado com cuidado pela revista é o tratamento visual do site, que traz elementos que dialogam com as mensagens dos entrevistados, expandindo o conteúdo para lugares não imaginados”, detalhou.

O projeto mataviva iniciou de forma independente, em 2021. Os conteúdos são abertos ao público e o site conta com apoio do público, que pode destinar suas contribuições a qualquer momento, sendo que assinantes possuem acesso a conteúdos exclusivos por e-mail. “Depois, a revista conseguiu patrocínio do Promic, via seleção em edital, para a realização das edições 8 e 9, já publicadas e também da 10ª edição, ainda a ser lançada”, concluiu.

Mataviva – Além da entrevista com Julia de Carvalho Hansen, antes o site publicou outras oito conversas: com Leonardo Fróes, poeta e tradutor que há quase cinco décadas vive na região serrana do Rio de Janeiro; com Natália Barros, artista nômade que inventa paisagens e jardins em Cotia, cidade da grande São Paulo; com Gary Lawless, poeta norte-americano que é também editor e livreiro, há 41 anos em trânsito entre a fazenda onde vive e a livraria na cidade, no estado do Maine; com o londrinense Vinícius Lima, poeta, anarquista e agroflorestor que cultiva o Sítio A’nu; com Lucina, poeta da voz, nascida em Cuiabá, cuja trajetória singular remonta à experimentações contraculturais dos anos 1970; com Nicolas Behr, poeta do cerrado, ligado à geração mimeógrafo, e que em Brasília publica seus próprios livros e mantém um viveiro de mudas; com Andreza Poitena e Josimas Ramos, músicos punks que vivem no interior de São Paulo, próximos do mar e dos guarani, indígenas do qual são parceiros em múltiplas iniciativas; e finalmente com Yaxkin Melchy, poeta mexicano atualmente radicado no Japão, e que se dedica à ecopoesia com sua editora independente Cactus del Viento.

Fonte: N.com/Imagens: Divulgação