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Reflexões sobre o mundo do trabalho Reflexões sobre o mundo do trabalho

Reflexões sobre o mundo do trabalho

Friday, 03 de May de 2013
Categoria: noticia

Ainda hoje muita gente associa o
ato de trabalhar a sofrimento ou mal necessário inevitável e não é raro
encontrar aqueles que acordam na segunda-feira pela manhã com semblante de quem
está pronto para enfrentar seu calvário particular. O mesmo tipo de gente que
sabe de cor a data de todos os feriados do ano esperando um refresco e sofre em
dobro quando algum deles cai no final de semana.

Mas isto não vem de hoje. Até
mesmo o vocábulo trabalho é oriundo do latim tripalium, um instrumento de
tortura utilizado pelos romanos. Ou seja, séculos atrás muita gente já padecia
ao desempenhar o ofício que lhe dava sustento e também não via graça nenhuma em
ter de ralar de sol a sol.

Como justificativa alguns dizem
que não fazem aquilo que gostam, mas será que pelo menos se esforçam para
gostar daquilo que fazem? Afinal, poucos são os afortunados que têm a
oportunidade de atuar na profissão de seus sonhos e até mesmo estes têm de
lidar com algumas fontes de desprazer que viabilizam aquilo que lhes agrada.

Por outro lado, há pessoas que
exageram na devoção ao trabalho, submetendo-se a jornadas estafantes dia após
dia, meses a fio. Workaholics, que justificam as tarefas continuadas do final
de semana como inevitáveis por causa da correria que enfrentam no dia a dia e
que sustenta sua ética do trabalho em responsabilidades excessivas ou no falso
comprometimento. Aquelas que não trabalham para viver e sim vivem para trabalhar.

Gente que sempre diz sim a
qualquer pedido feito pelo chefe ou cliente, vive pensando na próxima
pós-graduação que irá cursar – mesmo antes de finalizar a atual –, cujos
melhores amigos só podiam ser os colegas da empresa e está disposta a aceitar
qualquer nova proposta profissional sem pesar aquilo que pode lhe custar nas
demais esferas da vida. Cuja identidade se confunde com o trabalho que realiza.

Se você se assemelha com algum
destes dois perfis apresentados é melhor rever seus conceitos o quanto antes
para evitar arrependimentos futuros e ainda aproveitar as oportunidades que o
mercado oferece, pois ele passou a ser valorizar como nunca pessoas equilibradas,
consistentes e de bom senso.

Por quê? Vivemos tempos
contraditórios. A idade média na qual as pessoas estão assumindo o primeiro
cargo de liderança já é de aproximadamente 35 anos e não é raro encontrarmos
quem tenha assumido posições importantes ainda mais cedo. Contudo, no outro
extremo, por consequência da baixa qualificação, 50% das pessoas desempregadas
tem entre 16 e 24 anos, segundo o IPEA, angustiando a Geração Y como um todo.

Só que não podemos esquecer que
alguns empregadores têm exigido tantos predicados das pessoas que só contando
com um cinto de utilidades do Batman para atender os requisitos mínimos
exigidos. E o pior: como os salários oferecidos geralmente não acompanham os
anseios das pessoas que atendem o perfil – já que investiram muito tempo e
dinheiro em sua formação –, é cada vez mais comum que permaneçam desempregadas
até que surja alguma oportunidade melhor.

Portanto, se muitos dos jovens
não têm a qualificação exigida e outros que a possuem nem sempre aceitam as
ofertas disponíveis, quem estava pronto para pendurar as chuteiras e enfrentava
o temor da aposentadoria precoce e forçada voltou a ter papel de destaque.
Aproximadamente 5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos estão
compartilhando suas experiências, aprendendo coisas novas e tendo de lidar com
gente que tem um terço da sua idade nas empresas. É por isto que só se fala em
conflito de gerações.

Nesta semana na qual comemoramos
o Dia do Trabalhador destaco estes exemplos apenas para lembrar que o mundo
corporativo carrega suas incoerências e é mutante por natureza. Se você não
evoluir junto com ele ou viver de ideias preconcebidas sobre o trabalho como um
todo poderá se frustrar à toa.