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Projeto auxilia crianças a superar dificuldades motoras Projeto auxilia crianças a superar dificuldades motoras

Projeto auxilia crianças a superar dificuldades motoras

Monday, 19 de October de 2020
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O estudante Cleberson Dutra e a professora Josiane Papst: a Universidade cumpre o papel de identificar essa situação, devolvendo o conhecimento científico à comunidade

Projeto integrado do Centro de Educação Física e Esportes identifica e realiza intervenção em crianças com Transtorno de Desenvolvimento de Coordenação

Implementar um programa de intervenção com atividades voltadas às dificuldades motoras de crianças com Transtorno de Desenvolvimento de Coordenação (TDC), proporcionando aos estudantes de Educação Física meios para estudar e pesquisar sobre o assunto, além de vivenciar experiências práticas. Esse é o objetivo do projeto integrado (ensino, pesquisa e extensão) “Superação – crianças em atividade”, coordenado pela professora Josiane Medina Papst, do Departamento de Educação Física do CEFE.

A professora explica que o TDC não é considerado uma doença, mas um transtorno que caracteriza uma determinada condição que apresenta especificidades. O diagnóstico do TDC não é apenas clínico, fechado pelo médico mas, conforme a professora Josiane Papst, é importante observar quatro critérios propostos pela Associação de Psiquiatria Americana (APA, 2014), que envolve realização de avaliação motora. Por isso podem auxiliar na identificação do transtorno profissionais de Educação Física, Terapia Ocupacional e Fisioterapia.

O primeiro é se a criança apresenta desenvolvimento motor substancialmente abaixo do esperado para sua faixa etária. O segundo, se o desempenho motor interfere em atividades diárias como amarrar cadarço, pegar um objeto e abotoar a roupa. Terceiro, os sintomas aparecem precocemente no desenvolvimento; e quarto, o déficit no desempenho motor não é atribuível a uma condição neurológica, deficiência intelectual ou visual que afete os movimentos.

O projeto é desenvolvido desde 2017, conta com a participação de três professores da UEL, dois profissionais colaboradores (comunidade externa) e chegou a ter 14 estagiários. O projeto é vinculado o Grupo de Estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora de Crianças com Desenvolvimento Atípico (GEDAZMDA). Esse tema desperta o interesse da professora Josiane Papst, desde o seu doutorado. A coleta de dados para a tese considerou escolas municipais de Londrina, Cambé e Rolândia.

“Superação” prevê, em etapa inicial, com professores de Educação Física e professores regentes, que preenchem um instrumento de descrição, para indicar crianças que podem ter desenvolvimento motor atípico. Ao fechar o diagnóstico, a equipe do projeto vai à escola e conversa com os pais para buscar mais informações sobre a criança, convidando-os para participar das atividades na UEL. “Conversamos para saber se a mãe teve problema na gravidez, no parto, se a criança demorou para andar, para sentar. Os marcos do desenvolvimento motor da criança são extremamente importantes para nos auxiliar a fechar o diagnóstico”.

A professora afirma que as crianças que têm desenvolvimento geral motor com baixo desempenho tendem a ser tornar adultos com transtorno de desenvolvimento de coordenação (TDC). Algumas hipóteses para isso passam pela falta de oportunidades para a realização dos estímulos necessários durante a infância. Por isso, a necessidade de se intervir precocemente junto às crianças em idade escolar. Ao atuar na perspectiva da extensão, a universidade cumpre o papel de identificar essa situação, devolvendo o conhecimento científico à comunidade. As crianças com diagnóstico de TDC participam semanalmente das intervenções desenvolvidas no CEFE, no campus universitário.

Josiane Papst comenta sobre o caso de uma menina de 12 anos que apresentou avanço em atividades de cunho temporal e rítmico. Foram desenvolvidas ações de dança, área de interesse demonstrada pela criança e isso ajudou no seu desempenho, em área de desenvolvimento específico. No entanto, ressalta a professora, não houve avanços no desenvolvimento geral. “Não quer dizer que ela vai aprender a dançar, mas que teve bom desempenho motor. Ela tem boa habilidade de salto e acredito que conseguimos maximizar as atividades”.

Associado ao TDC, essa criança tem déficit de atenção e, por isso, toma medicamentos, que podem interferir no desempenho motor. Um ponto apontado como positivo pela professora é a sociabilidade, já que a participante do projeto relaciona-se com outras pessoas em outro ambiente, diferente daquele que a que ela está acostumada. “São três anos de projeto e temos estudado, ao longo desse tempo, estratégias para melhorar as atividades oferecidas aos participantes e, também, nossos estudantes”.

Houve uma prorrogação de 12 meses do projeto e, para este ano, Josiane Papst explica que estão programados um curso de extensão para estudantes de Educação Física (comunidade interna), um curso para profissionais de educação física (comunidade externa) e um livro para reunir o conhecimento científico, produzido desde 2017. “Também vamos continuar com a intervenção junto às crianças do projeto”. Há expectativa de receber, inclusive, uma criança com TDC, que tem diagnóstico no espectro autista.

Como resultados do projeto, a professora ressalta que, em 2018, foi realizado na Semana de Educação Física um curso de formação acadêmica na área de desenvolvimento motor, abordando o TDC. Como público, os participantes da semana realizada pela UEL. Já em 2019, foi realizado um curso de extensão especificamente sobre o TDC, voltado para profissionais e acadêmicos de educação física, terapia ocupacional e fisioterapia.

A professora Josiane Papst diz que nesses três anos, o grupo enfrentou muitas dificuldades para realizar o projeto e que os integrantes estão pensando novas estratégias. Uma delas é estabelecer parcerias diretas com as secretarias de educação dos municípios. A professora espera aumentar o número de crianças participantes e estagiários do projeto. “Vou às reuniões dos professores nas secretarias para articular as ações do projeto”.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Na graduação, o tema transtorno de desenvolvimento de coordenação não consiste em uma disciplina específica, sendo abordado em conjunto com outros assuntos. Para aprofundar seu conhecimento na área, o formandoCleberson Dutra diz que buscou o GEDAMDA como membro colaborador. Ele era bolsista de iniciação científica do Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora (GEPEDAM). Mesmo formado, Cleberson Dutra diz que vai continuar atuando como colaborador no projeto “Superação”.

A atuação do atuação nos grupos de pesquisa é anterior à disciplina que estuda o TDC, na graduação. “Por isso, o meu aproveitamento foi melhor quando cursei a disciplina”, afirma Cleberson Dutra. Ele diz que sua participação no projeto ajudou a compreender a área do comportamento motor, que inclui três subáreas: aprendizagem, desenvolvimento e controle. “Uma coisa que me facilitou foi compreender o comportamento motor porque as três subáreas são amplamente ligadas e, geralmente, olhamos para cada uma de forma isolada.”

Cleberson Dutra ressalta que atuou em dois diferentes grupos de estudos, inicialmente por causa do conhecimento, mas que a bolsa científica paga pela UEL foi muito importante. “Posso dizer que essa bolsa foi fundamental para a minha estadia enquanto universitário, participando desses projetos. Muitos alunos não têm condições financeiras para ficar um período inteiro na universidade focado na pesquisa. Essa bolsa foi fundamental para mim”.

Reinaldo C. Zanardi / Agência UEL de Notícias