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O modelo de aprendizagem 70/20/10

O modelo de aprendizagem 70/20/10

quinta, 11 de dezembro de 2014
Categoria: noticia

A aquisição de competências se dá de forma mais significativa
no próprio local de trabalho

Quem veio ao mundo até o início dos anos 1980 cresceu dentro
de uma realidade na qual aprendizado era sinônimo de sala de aula ou leitura.
Isto é, sempre acreditou que o acúmulo de certificados de conclusão de cursos e
o ato de devorar dezenas de livros por ano já era suficiente para garantir uma
grande vantagem competitiva em relação aos demais seres humanos que não seguiam
esses passos.

Modelo também reproduzido nas empresas até os dias atuais,
afinal quando alguém precisa aprender alguma coisa, logo vem à cabeça a ideia
de promover um treinamento com a expectativa de que o saber transmitido aos
colaboradores seja aplicado por eles em seu trabalho logo na sequência.

Contudo, já sabemos que a aprendizagem formal hoje em dia
precisa ser combinada com outras estratégias de aprendizagem se quisermos uma
transformação significativa. Prova disso é o resultado das pesquisas conduzidas
pelos professores Morgan McCall, Robert Eichinger e Michael Lombardo, do Centre
for Creative Leadership, sediado na Carolina do Norte (EUA), que gerou o modelo
conhecido como 70/20/10.

Os estudos mostraram que 70% do aprendizado de um empregado
vem dos desafios profissionais que a pessoa cumpre em sua própria rotina de
trabalho. Das difíceis missões que possibilitam o desenvolvimento via
experimentação, repetição e acúmulo de experiência, como ocorre naquelas
situações em que você precisa gerir um projeto de mudança, lidar com
responsabilidades crescentes ou ter de se virar para resolver um novo problema
que acabou de surgir.

Os 20% dizem respeito ao aprendizado que se constrói
interagindo com outras pessoas. Aquilo que você apreende ao observar como um
colega executa determinada tarefa ou quando se reúne com um parceiro para
preparar um seminário que apresentarão aos demais profissionais do seu
departamento. O tipo de aprendizagem social que qualquer um de nós pode
consolidar participando de fóruns na internet, por exemplo.

Já os 10% restantes dizem respeito à educação formal,
incluindo aí os treinamentos em sala, congressos que você participa, as
certificações técnicas que conquista a duras penas, as obras que leu, as
sessões de coaching, a pós-graduação que acabou de cursar e o curso de e-learning
que fará no mês que vem. Tudo aquilo que recebe com certa estruturação e num
ambiente controlado.

é claro que o modelo 70/20/10 não é rígido e esses
percentuais também podem ser um pouco diferentes dentro da sua realidade
organizacional. Contudo, é inegável que ele valida o fato de que a aprendizagem
não deve ser estimulada apenas por meios tradicionais de ensino e mostra que a
aquisição de competências se dá de forma mais significativa no próprio local de
trabalho.

Logo, o ambiente laboral deve ser convidativo à
experimentação e à troca de ideias. As pessoas precisam se sentir estimuladas a
compartilharem com as demais aquilo que acabaram de aprender e também estarem
abertas a assimilarem com seus colegas tudo que ainda ignoram. E só para
lembrar, ignoramos cada vez mais.

Ao mesmo tempo, ensina-nos que numa empresa com escassez de
profissionais especialistas, tecnologia ultrapassada, restrição no acesso às
informações ou mentores relutantes em transferir conhecimento pouco se aprende
coletivamente. Que a alta rotatividade de pessoal torna o quadro ainda pior.

E esse modelo também mostra que a sua empresa precisa
continuar promovendo treinamentos formais. Os 10% de aprendizado no modelo
tradicional servem como o catalisador das grandes mudanças internas e ajuda as
pessoas a saírem do piloto automático. Um décimo do total até pode parecer
pouco, mas ele é suficiente para cumprir o papel de orientar as pessoas acerca
daquilo que elas devem aprender de verdade.

Chegou o momento de tornar nossas empresas o que Peter Senge
tão lucidamente chamou de “Learning Organizations” (organizações que aprendem).
Companhias nas quais o desenvolvimento de competências ocorra dentro de um
processo de aprendizado contínuo​, em qualquer lugar​ e vivencial.

Wellington Moreira,
palestrante e consultor empresarial
[email protected]
/ (43) 3029-5000