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Gênero cômico faz parte do ensino de Artes Cênicas Gênero cômico faz parte do ensino de Artes Cênicas

Gênero cômico faz parte do ensino de Artes Cênicas

Monday, 19 de October de 2020

Desde que concluiu o Doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2017, onde vivenciou uma imersão no universo da Commedia dell’Arte, o objetivo da professora Adriane Maciel Gomes (Departamento de Música e Teatro) era expandir os estudos acerca do gênero cômico junto aos estudantes de Artes Cênicas da UEL. Ainda no mesmo ano, os anseios da professora ganharam forma com a criação do projeto de pesquisa em ensino “O jogo, a improvisação e a máscara na criação dos tipos cômicos”, que visa desenvolver processos criativos para o estudo aprofundado dos tipos cômicos existentes. O projeto em andamento é desdobramento de outros projetos coordenados pela professora Adriane, precursora dos estudos sobre o tema na UEL.

A professora explica que a incorporação de máscaras teatrais na elaboração dos tipos cômicos foi um processo inspirado nas aulas que teve durante o Doutorado com o escultor Donato Sartori, cuja metodologia de confecção de máscaras de couro, utilizada pela Commedia dell’Arte, é considerada referência mundial. A máscara possibilita a expansão do corpo, fazendo que a encenação não fique centrada apenas na palavra. Já o jogo e a improvisação são recursos fundamentais para o acontecimento teatral, de modo que todo processo de criação do teatro vai passar pelo jogo e pela improvisação”, pontua.

A Commedia dell’Arte – comédia italiana caracterizada por ser popular e improvisada – é considerada a base do teatro contemporâneo. Este gênero teatral surgiu no final do século XV e permaneceu até o final do século XVIII, desenvolvendo tipos sociais fixos através de máscaras. “Tipos porque eles não têm elaboração de um perfil psicológico”, enfatiza. Conforme a professora Adriane, os tipos cômicos na Commedia dell’Arte são carregados de signos, como as cores das indumentárias, as características das máscaras e a movimentação dos artistas, que remetem ao personagem interpretado, isto é, a identificação é imediata.

Um dos tipos cômicos citados pela pesquisadora é o Bufão, figura ligada à classe paupérrima que amplia tudo que a sociedade sufoca e limita. “Os bufões hoje seriam todos os grupos que vivem à margem da sociedade”, acrescenta. Já o palhaço é o tipo cômico mais próximo das pessoas. Segundo Adriane, o fato é que abriram mais as portas para o palhaço, uma vez que ele atua em hospitais, festas, entre tantos outros lugares. Ainda conforme a professora, é essencial compreender que o cômico sempre será crítico e político o tempo inteiro, características que o tornam libertador. “O espetáculo cômico nos faz rir justamente porque trata de coisas que a sociedade não toca no assunto. O cômico amplia nossa vida regrada por padrões”, diz.

FORMAÇÃO

Desde que o projeto de ensino começou a funcionar no Departamento de Música e Teatro, muitos estudantes do curso de Artes Cênicas já passaram por ele. Atualmente são cerca de 30 estudantes envolvidos que têm a oportunidade de ampliar os conhecimentos teatrais adquiridos nas disciplinas de graduação. Uma das principais vantagens é a promoção de atividades que levam em conta as escolhas dos integrantes. “Os estudantes ficam porque querem [portas abertas], e eu espero que eles possam ir e vir. Em tempos brutos como esse é importante saber que nossas escolhas não precisam ser uma obrigação, mas que elas podem nos dar prazer. Isso não impede que o projeto resulte em trabalhos de conclusão de curso e artigos acadêmicos”, ressalta a coordenadora.

A participação em eventos através da promoção de oficinas é uma das principais atividades realizadas pelo grupo. Entre eles estão o Festival Peroba Rosa, evento que possibilita a integração cultural de Londrina por meio da ocupação de espaços públicos, e o Pró-Ensino: Mostra Anual de Atividades de Ensino, realizado pela Pró-reitoria de Graduação da UEL. De acordo com Adriane, os estudantes já estão no projeto desde o primeiro ano de graduação e, portanto, têm conhecimentos teóricos e práticos que merecem ser compartilhados. Mesmo após o término do projeto, previsto para setembro deste ano, o objetivo é continuar estudando as frentes do cômico através da criação de um novo projeto ligado ao Departamento. Para conhecer mais o trabalho realizado pelo projeto, basta acessar as redes sociais @tiposcomicosuel.

*Natanael Pereira / Estagiário de Jornalismo na COM

Fonte: Agência UEL de notícias