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Estudantes com necessidades especiais recebem materiais adaptados

Estudantes com necessidades especiais recebem materiais adaptados

Monday, 15 de June de 2020

Trabalho é desenvolvido de forma colaborativa entre profissionais do Atendimento Educacional Especializado e professores das escolas municipais, para quase duas mil crianças

Foto: Arquivo pessoal

Desde que as atividades presenciais nas escolas e centros de Educação Infantil foram suspensas, por conta do novo coronavírus, cerca de 40 mil alunos matriculados na rede municipal passaram a realizar suas atividades escolares em casa. Deste total, aproximadamente 1.800 são crianças com necessidades especiais, acompanhadas pelo Atendimento Educacional Especializado para que tenham seu pleno desenvolvimento garantido, inclusive durante a pandemia.

Os profissionais do Atendimento Educacional Especializado da SME, possuem formação em Educação Especial e Psicopedagogia, e dão suporte para Educação Inclusiva nas unidades escolares.

De acordo com a gerente de Educação Especial da SME, Cristiane Sola, a maior parte dos alunos com necessidades especiais é diagnosticada com alguma deficiência intelectual, autismo, síndromes ou Transtornos Funcionais Específicos, como TDAH, TDA, dislexia e discalculia. “Estes formam o nosso maior público, mas temos também crianças com paralisia cerebral, deficiência auditiva, visual, física ou múltiplas deficiências. Acompanhamos também crianças com altas habilidades, a superdotação, pois elas precisam de suplementação escolar”, detalhou.

Diariamente, os professores repassam, por meio de aplicativos como o WhatsApp, conteúdo adaptado para esses estudantes, e que deve ser trabalhado em casa, com auxílio dos familiares. “Com base no Plano de Estudo Dirigido Acessível, o PED Acessível, os professores produzem as atividades, que são executadas de maneira remota. Os alunos estão incluídos nas turmas e também recebem, como os demais colegas, o vídeo de contato com a professora, pois o objetivo é que não percam o vínculo com a escola, esclarecendo como as atividades devem ser feitas, e utilizando todo o kit de atividades e materiais adaptados à sua necessidade”, citou.

A produção dos materiais e das atividades adaptadas é feita de forma colaborativa, pelos docentes do Atendimento Educacional Especializado,  em conjunto com os professores regentes, que são responsáveis por cada turma, e de apoio, acompanhando e realizando todas as adaptações necessárias. Na página especial “Educação em tempos de COVID-19”, no Portal da Prefeitura, tanto os professores como os pais e responsáveis podem conferir, na aba Inclusão Escolar, algumas orientações e dicas para auxiliar na produção e realização das atividades remotas.

A gerente de Educação Especial da SME ressaltou que, embora as atividades remotas tenham um enfoque pedagógico, o foco primordial é manter o vínculo que os alunos têm com a escola, professores e colegas de turma. “Além desses, o vínculo com a atividade escolar é muito importante nesse momento para todas as crianças, para que continuem desenvolvendo suas habilidades. E, no caso das crianças com necessidades especiais, procuramos focar nas habilidades e potencialidades que cada um possui e, partindo daí, trabalhamos com atividades onde a criança, de acordo com suas características individuais, possa ampliar ainda mais essas capacidades”, comentou.

Cerca de dois meses após o início das atividades remotas, Cristiane citou que os pais têm dado um retorno positivo do trabalho, mesmo com algumas dificuldades. “As famílias têm enviado mensagens de agradecimento aos professores, e isso é muito gratificante. E sempre que recebemos algum contato dos pais comunicando alguma dificuldade, os professores e a equipe da Secretaria verificam e, juntos, readequamos as propostas para melhor atender o aluno e sua família. Sabemos que esse é um momento muito diferente para todos nós, e algumas crianças têm mais dificuldades com mudança de rotina, por isso o acompanhamento de cada caso em suas especificidades é muito importante para que tudo caminhe da melhor forma possível. Então, por exemplo, quando uma criança autista está com dificuldade em aderir às atividades, seja por conta da diferença na rotina ou por questões comportamentais, um profissional de Educação Especial faz contato com a família, orientando, dando dicas e mantendo parceria com os profissionais clínicos que também atendem a criança, buscando novas alternativas”, finalizou.

Foto: Arquivo pessoal

Adaptação – Marcelle María Aureliano de Faria é mãe da Mariah Aureliano de Faria, de 6 anos, que tem Síndrome de Down e é aluna da Escola Municipal Joaquim Pereira Mendes. Ela contou que a filha está realizando as atividades remotas, e assiste os vídeos dos professores pelo celular. “Eles preparam esses trabalhos, nos mandam, e vamos praticando conforme ela aceita participar. Como a concentração dela é muito mais curta do que uma criança típica, precisa ser algo que prenda muito a atenção. E, com exceção de uma semana, fizemos e entregamos todos os trabalhos, atividades, tanto que a coordenadora da escola entrou em contato pedindo autorização para divulgar as imagens dela, para motivar os outros pais e as outras crianças”, contou.

Marcelle comentou que insere as atividades nas brincadeiras, para que Mariah participe o máximo possível. “Eu vou adaptando para a forma mais lúdica possível. No começo foi difícil, mas recebemos um material adaptado, o que deixou o trabalho mais fácil. E sei que as professoras estão dando o seu melhor, se preciso de alguma explicação ou ajuda elas estão solícitas e dispostas. Teve uma semana que não consegui trabalhar com ela, mas conversei com a professora, ela me tranquilizou dizendo que todos estão passando por isso, e retomamos na semana seguinte”, disse.

Fonte: N.Com