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Dica de Leitura: A Metrópole Imaginária Dica de Leitura: A Metrópole Imaginária

Dica de Leitura: A Metrópole Imaginária

Wednesday, 16 de December de 2020
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Livro de André Azevedo da Fonseca, professor do Departamento de Comunicação, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), reúne 10 anos de pesquisas sobre mídias e mitos em propagandas

A Metrópole Imaginária é o título do mais novo livro do professor André Azevedo da Fonseca, do Departamento de Comunicação, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Lançado recentemente pela Editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a obra de 228 páginas é resultado de mais de 10 anos de pesquisa sobre mídias e mitos em propagandas, incluindo propagandas políticas, e a cidade de Uberaba, Minas Gerais – cidade natal do professor.

A recente publicação analisa uma dimensão inédita da história de Uberaba, que se autodenominava “a princesa do Sertão”. Em meados do século XX, as famílias tradicionais da cidade semirrural do interior tramaram um circuito de autoconsagração para criar a ilusão de que viviam em um centro urbano aristocrático e cosmopolita, prestes a irradiar cultura, elegância e civilização para todo o Brasil. Para isso, teceram uma infindável trama de narrativas autocelebratórias e transformaram o noticiário da imprensa local em uma ficção consentida.

Os registros estão no jornal centenário “Lavoura e Comércio”, do qual o professor da UEL se debruçou em 12 anos de publicações para conseguir desenvolver a pesquisa. Como explica André, na época, havia rumores de que a capital do Brasil iria para o interior do país e a expectativa era que fosse Uberaba. Diante de uma sociedade decadente, o jornal usava então manchetes como “maior metrópole do Brasil Central”, “maior expressão de progresso visível na história” e “a cidade sofria um êxtase de verticalismo nunca visto na história da humanidade”.

O professor afirma que esta é uma imagem universal que as cidades adotam e faz um paralelo com exemplos bem conhecidos. “Superdimencionar as cidades, criar símbolos, criar placas comemorativas para que alguns personagens sejam monumentalizados e outros esquecidos, isso é uma dinâmica comum a qualquer cidade, inclusive Londrina”. Ele cita que, ao chegar no aeroporto de Londrina, é possível ler a frase “bem-vindo a Little London”. Isso não ocorre somente em cidades do interior, pois em São Paulo, maior capital do país, também há um exemplo: o bairro Alphaville, de classe alta, é chamado de “Miami brasileira”. “São designações fabulosas para fascinar aqueles que não participam dos círculos. Significa poder e mistificação”, afirma.

Coluna – Essas referências estavam muitos presentes também na coluna social do jornal mineiro. André Azevedo explica que não é só questão de vaidade as pessoas aparecerem nas colunas sociais, mas também de poder. “Onde elas aparecem, são vistas como privilegiadas, merecem admiração. Quem paga, sabe a importância de ser homenageado nesses espaços”, diz.

Na obra, o autor identifica que “ao lado da aparentemente inofensiva linguagem adocicada das colunas sociais, a obsessão por toda aquela teatralização vai se revelando como uma prática política deliberada para firmar valores, obter consentimentos, distribuir e confirmar papéis sociais, circunscrever os símbolos de prestígio, consagrar figuras públicas, estigmatizar os grupos indesejáveis e, por fim, legitimar as violências físicas e simbólicas perpetradas naquela cidade empobrecida e desigual”.

O livro é um trabalho de História Cultural, que dialoga com Sociologia, Antropologia, Arquitetura e Comunicação. É um dos resultados da tese de Doutorado em História, realizado pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), de estudos feitos no grupo de pesquisa Comunicação e Imaginação Social (Imagicom) – do qual André Azevedo é coordenador – e ainda um dos resultados da atuação do professor como visitante da Universidad Complutense, de Madri, entre 2018 a 2019, como bolsista da Capes. Os estudos resultaram ainda em outras duas obras: A construção do mito Mário Palmério (Unesp, 2012) e Cotidianos culturais e outras histórias (Uniube, 2004).

Serviço – O livro “A Metrópole Imaginária” (Ed. UFPR, 228 págs.) pode ser adquirido no site da Editora UFPR. Valor: R$ 40,00.

Fonte: O Perobal