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Aprecie o desconforto Aprecie o desconforto

Aprecie o desconforto

Wednesday, 11 de April de 2018
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Muitas pessoas me perguntam quais são os fatores-chave para construir uma carreira de gestão bem-sucedida e, dentre as coisas que costumo destacar, uma delas tem se mantido na lista ao longo dos últimos anos: bons líderes apreciam o desconforto. Gostam de ser desafiados em vez de optar pelo caminho mais fácil.

Infelizmente, muitos líderes só enfrentam grandes desconfortos quando seu chefe imediato ou o mercado impõe novas exigências a eles. Mas isso não tem nada a ver com liderança e sim com o fato de ser conduzido por terceiros que têm o poder de desacomodá-los.

Profissionais que não querem grandes riscos dificilmente constroem uma carreira de liderança ascendente porque procuram investir seu tempo naquilo que já dominam, quando poderiam obter novas competências lidando com o desconhecido. E o principal equívoco deles é acreditar que o diretor financeiro de hoje, foi gerente financeiro ontem e começou como assistente na mesma área muitos anos atrás.

A vida real nos mostra uma trajetória bem diferente na história da maior parte dos líderes eficazes. Eles não se prenderam à área de domínio inicial, aceitando, às vezes, posições antagônicas ao trabalho anterior. E é claro, muitas vezes foram percebidos como “gente sem rumo” por quem escolheu uma carreira linear e sem sobressaltos.

Contudo, são essas pessoas que, no auge da carreira, acabam dirigindo grandes companhias no papel de executivos ou tocam o próprio negócio. E isso só é possível porque lá atrás aceitaram não ter a resposta certa em inúmeros momentos. Enxergaram a incerteza e o erro como dádivas em seu processo de desenvolvimento.

Até uma criança de dez anos reconhece que não é fácil encontrar gente que valorize o desconforto. Mas se você pretende mudar a sua história a partir daqui, que tal começar com pequenas atitudes? Na próxima vez que for a uma pizzaria, peça um sabor diferente daquele que está acostumado. Arrisque-se a viajar para lugares que não conhece em vez de retornar sempre àquela praia tão familiar. Participe de eventos nos quais não conhece ninguém e apresente-se aos “estranhos” logo que chegar lá. Leia livros que, mesmo não sendo o seu tipo de literatura predileta, certamente trarão novas perspectivas.

Para quem é sedentário e começa a praticar exercícios, boa parte das dores dos primeiros dias significam que a mudança está em curso. Ou seja, o desconforto físico revela que seu corpo está reagindo aos estímulos. Da mesma forma, grandes transformações profissionais provocam sensações desagradáveis no início, mas se você não desistir cedo demais, vai acabar percebendo resultados animadores na sequência.

No entanto, concordo que é preciso estabelecer limites. Tolerância ao desconforto é uma coisa, enquanto que aceitar desafios que estão além da sua capacidade é outra bem diferente. Alguns profissionais cometem graves danos às suas carreiras simplesmente por não enxergarem até onde vai sua competência. Têm autoconfiança de sobra, quase nada de autoconhecimento e zero de cautela: uma equação perigosa.

O desconforto com o qual você precisa lidar nesse momento talvez tenha a ver com aquela proposta de emprego que implica mudar de cidade. Ou então assumir logo o cargo de gerente de vendas da empresa onde trabalha – que já derrubou cinco outros profissionais nos últimos três anos –, mas que você tem ideia do que precisa fazer para obter sucesso.

Alguém já escreveu num livro que temos o tamanho dos nossos sonhos. Eu penso um pouco diferente: somos o resultado da nossa capacidade de lidar com o desconforto. Num mundo em que a mudança é a regra, agir de modo proativo, enfrentar frustrações com maturidade e desafiar-se permanentemente separa as pessoas comuns dos verdadeiros líderes.

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