Estação Londrina apresenta debate sobre o romance ‘Escândalos da Província’

quarta-feira, 12 de julho de 2017 Obra é o primeiro romance ambientado e escrito em Londrina

Foto: Yutaka Yasunaka

Será realizada hoje, no Museu Histórico de Londrina, a partir das 19h30, a 9º edição do Estação Londrina. Projeto vai promover um debate sobre  o primeiro romance totalmente escrito, ambientado e publicado na cidade de Londrina: o livro “Escândalos da Província“, do jornalista e escritor Edison Maschio.

Lançado originalmente em 1959, com uma tiragem de aproximadamente 2 mil exemplares, o livro ganhou nova edição em novembro de 2011, inaugurando a coleção Doc.Londrina da editora Kan. Essa noite contará com a presença do autor do livro, hoje com 83 anos de idade. A mediação será do jornalista Felipe Melhado e do professor Frederico Fernandes, do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina.

Sobre o romance

“Romance satírico”, na avaliação do historiador Tony Hara, Escândalos da Província teria gerado uma grande confusão ao ser lançado no final dos anos 1950. O seu autor recebeu ameaças de morte, a polícia quis apreender parte da publicação; o que contribuiu para que os 2 mil exemplares lançados se esgotassem em poucos dias. De acordo com o texto de Hara e Marcos Losnak no prefácio da obra relançada há 6 anos, “Escândalos da Província pode ser lido como uma coletânea de faits divers que atiçaram a curiosidade dos leitores londrinenses na década de 50. Há no romance a narração de episódios reais que entraram para a história não-oficial da cidade de Londrina. O desfile das prostitutas carecas em plena luz do dia, na Avenida Paraná; o crime do juiz Ismael Dorneles de Freitas, assassino confesso do advogado Alcides Tomazetti; o caso das calcinhas encontradas debaixo dos cafezais ao lado do Country Club após um animado baile de carnaval. Esses episódios extraordinários se misturam a outros relatos que também soam por demais inverossímeis. A dúvida fica no ar. E esse é um dos trunfos dos faits divers, trafegar entre os fatos reais e o exagero sensacionalista.

Sobre o Autor

De acordo com Hara e Losnak, “Edison Maschio nasceu em Assis (SP), no dia 23 de novembro de 1933. Sua família se mudou para Londrina em 1938 para trabalhar na zona rural. Aos 16 anos, Maschio morava em Londrina e era funcionário de um cartório. Foi preenchendo certidões, procurações e contratos que o rapaz foi iniciado no quem é quem da cidade. O seu primeiro texto publicado em um jornal foi, literalmente, uma piada. Maschio ganhou um concurso promovido pelo jornal satírico A Carapuça em 1949. Victor Bosso, proprietário de A Carapuça e também da Gazeta Esportiva, convidou o jovem de 17 anos para fazer a cobertura do esporte amador londrinense. A partir daí, o jornalismo entrou definitivamente na vida de Maschio. Com o fechamento da Gazeta do Norte em 1961, Maschio atuou em pequenos e efêmeros jornais da cidade, além de escrever textos para o rádio e para o cine-jornal Atualidades Paranaenses, do cineasta Renato Melito. Editou a revista A Vanguarda e um jornal com o mesmo título. Mais tarde, em 1968, fundou O Diário de Londrina que durou até o ano de 1973. Nesta época, ele criou também a Revista Paraná Policial. Nas décadas de 70 e 80 redigiu e editou jornais para inúmeros sindicatos, como por exemplo, dos Bancários, dos Metalúrgicos e da Construção Civil. Foi um dos pioneiros em Londrina daquilo que passou a ser chamado de Imprensa Sindical. Na década de 80, Edison Maschio publicou sete álbuns que traziam breves biografias de cidadãos ilustres e dados sobre a realidade social e econômica do município. Um dos títulos mais conhecidos desse gênero é o livro Londrina: 60 Anos. Em meio a essas obras que reproduziam o discurso oficial sobre a cidade, a sua verve crítica veio à tona novamente com a publicação de seu segundo romance, Raposas do Asfalto (1984). Esta obra pode ser considerada uma continuação de Escândalos da Província. O jornalista Edison Maschio ainda hoje atua como colaborador na imprensa londrinense. É, seguramente, o mais antigo jornalista em atividade em Londrina. Pequenos fragmentos dessa longa história foram reunidos num livro intitulado Histórias Ocultas, publicado pelo autor em 2010″.

Sobre o projeto Estação Londrina

Criado em 2016 sob a coordenação do professor e pesquisador Frederico Fernandes (Letras/UEL), Estação Londrina é um projeto de extensão da UEL, conta com recursos do CNPq, e tem como objetivo promover e discutir a produção cultural da cidade. De 2016 pra cá já foram realizados 8 encontros, discutindo temas relacionados à história, política, economia, literatura, cinema, fotografia, games e música de Londrina. Entre os convidados, participaram do projeto os jornalistas Tony Hara, Patrícia Zanin e Fábio Cavazotti, os fotógrafos Saulo Haruo Ohara e Guilherme Gerais, o cineasta Caio Júlio Cesaro, o professor canadense Tamer Thabet, as escritoras Beatriz Bajo, Flavia Verceze, Samantha Abreu, Vi Karina e Vivian Campos, entre outros nomes da cultura local.      

O Museu Histórico de Londrina fica na Rua Benjamin Constant, 900 - Centro (antiga Estação Ferroviária). O evento tem entrada franca e é aberto a todos os interessados. Mais informações pelo telefone (43) 3323-0082.

Fonte: Divulgação